Como não nos revoltamos com o imposto no Brasil?
Em 1773, colonos americanos jogaram caixas de chá no porto de Boston. O motivo era a tributação sem representação. Ninguém precisava de contador para entender o problema. O imposto estava ali, visível, com nome e valor, cobrado por uma coroa distante que não prestava contas a ninguém.
Em 1789, a Inconfidência Mineira explodiu em torno da derrama, a cobrança forçada do ouro que Minas Gerais devia à Coroa Portuguesa. Em 1835, a Guerra dos Farrapos começou em boa parte porque o Rio Grande do Sul produzia charque e couro, e a tributação imperial tornava os produtos gaúchos mais caros que os estrangeiros no próprio mercado interno.
Esses movimentos tinham algo em comum: os envolvidos sabiam exatamente quanto pagavam, para quem pagavam e o que recebiam em troca. Ou melhor, sabiam o quanto não recebiam. A indignação era proporcional à clareza.
Hoje o Brasil arrecada mais de 30% do PIB em impostos. O Estado pega acima de 40% do que o trabalhador produz quando se somam todos os tributos diretos e indiretos ao longo de um ano. Isso coloca o país em patamar comparável e até maior ao de economias ricas da Europa, com serviços públicos em patamar incomparavelmente inferior. As escolas públicas não funcionam como as finlandesas. O sistema de saúde não funciona como o alemão. As estradas não funcionam como as francesas.
O Brasil lidera o ranking de pior retorno de imposto no mundo. Com a reforma tributária, teremos o maior IVA (Imposto sobre Valor Agregado) do mundo, previsto em torno de 28%.
O imposto colonial era direto. Você o via chegar, com nome, com data, com cobrador. O imposto moderno é, em sua maior parte, indireto. Está embutido no preço do feijão, do combustível, do remédio, do aluguel. Quando você paga R$ 100 numa conta de luz, uma fatia significativa vai para tributos, mas o valor não aparece discriminado. Vai junto com a tarifa, com os encargos setoriais, com os subsídios cruzados que financiam o que o governo decidiu que deve ser financiado.
O resultado é que o imposto se camufla no preço. Isso deixou de acionar o mecanismo político que os impostos históricos acionavam: a percepção clara de extração.
Sistemas tributários são complexos para causar amortecimento político. Quando o custo é fragmentado em milhares de transações invisíveis ao longo do ano, não há momento de dor concentrada. Sem dor concentrada, não há reação organizada.
Acrescente a isso a complexidade técnica. O Brasil tem um dos sistemas tributários mais labirínticos do mundo. O IBPT estima que o país edita mais de 30 normas tributárias por dia. Nenhum cidadão comum consegue rastrear o que paga, muito menos contestar. A opacidade não é subproduto da burocracia: é parte do funcionamento do sistema.
O modelo petista de política econômica tem uma lógica interna: o Estado é o agente central do desenvolvimento, e o financiamento desse Estado se faz pela expansão da arrecadação.
Diversas iniciativas do PT aumentaram os impostos desde o primeiro mandato. Nos últimos 3 anos, foram 27 aumentos de impostos. Alguns exemplos:
As contribuições sociais se multiplicaram, e o peso do Estado ficou cada vez maior.
A lógica é de que o problema público é sempre um problema de insuficiência de arrecadação, nunca de ineficiência de gasto. Com essa premissa instalada, o movimento natural é sempre mais arrecadação. O tamanho do Estado, a estrutura do gasto, os incentivos que o setor público cria ou destrói ficam fora da equação.
A explicação não é que as pessoas se tornaram mais submissas ou menos conscientes. É que perderam os instrumentos de medição. Sem número concreto, não há indignação concreta. Sem indignação concreta, não há pressão política sustentada. Esse é o desenho do sistema.
Antes de discutir alíquotas, bases de cálculo e progressividade, é preciso que as pessoas saibam quanto pagam. O número individual: o que foi tirado de você pelo Estado neste ano e nos últimos anos, e o que isso representa em horas trabalhadas, em bens que poderiam ter sido adquiridos, em escolhas que não foram feitas.
É por isso que construímos o Impostômetro do PT.
A ferramenta é simples: você insere sua renda, e ela calcula quanto você pagou de imposto ao longo dos governos petistas. O resultado vem em reais e em anos de trabalho. A ferramenta já compara com os valores envolvidos nos principais escândalos de corrupção desses mesmos governos: o Mensalão, o Lava Jato, o desvio do INSS.
O objetivo é tornar o número real, pessoal e comparável.
Porque a revolta não desapareceu. Ela está represada num sistema desenhado para impedir que se forme. O primeiro passo para mudar é ver o que está sendo cobrado.
Descubra quanto você pagou de impostos durante os governos do PT.
Calcular meus impostos